Eu tenho um tesouro guardado no meu quarto. Ele é tão só meu que não preciso esconder, não preciso colocar em um cofre e chaveá-lo com medo de que alguém queira roubá-lo. É o meu maior tesouro. E só de pensar que um dia ele pode acabar eu entro em desespero. Evito de pegar, evito de tocar, evito de sentir ao máximo pra não gastar, pra não se perder no ar. Se eu tivesse que me desfazer de todas as coisas agora e só pudesse escolher uma pra seguir comigo, seria esse tesouro. Não levaria dinheiro, não levaria comida, não levaria roupa que não fosse a do corpo. Traria comigo só o meu maior tesouro, que de estar comigo me faz ser perseverante, me faz acreditar nos meus sonhos, me faz sentir amada, me faz lembrar dos momentos mais fraternos e felizes que já vivi até hoje.
essa felicidade que se instalou aqui dentro é indescritível. queria eu poder dividir, expandir, espalhar mesmo. mas não dá. dessa vez não é aquele egoísmo de sentimento que eu tanto falo. eu queria mesmo, tem alegria e bem-estar de sobra aqui dentro pra toda humanidade. foi um momento que bastou para me fazer suspirar um mês. um momento que por mais que tenha sido rápido se encheu com toda sincerdidade, todo carinho e todo amor que poderia. agradeço por seguir um caminho tão bonito, tão repleto de sentimentos que só sabem me completar e me fazer muito feliz. queria congelar o tempo naquele instante pra poder ficar sempre naquela paz. melhor se pudesse ficar dando replay e viver várias vezes a mesma coisa. sinto que repetição não ocorrerá, talvez de propósito para que se siga único como lembrança. não espero nada. estou muito satisfeita com o que sou. com minhas atitudes e as atitudes dos outros em relação a mim e com todos os planos (meu combustível da existência) que eu não canso de criar para seguir sempre em frente.
se houvesse uma forma de gritar para que todos pudessem ouvir, eu o faria.
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de novo vou pegar minha mochila e me mandar. ir pra um outro lugar longe da rotina que cerca meus dias. vou lá respirar, carregar minha bateria, pensar um pouco na vida com uma visão mais distante. é como se eu tivesse o poder de sair fora de mim como uma alma que vaga em volta do corpo observando os acontecimentos ao seu redor. sinto que posso me ver com outros olhos. posso apreciar melhor minhas alegrias, posso reparar com mais atenção as maiores fraquezas que me habitam. é só um final de semana, mas a minha ansiedade é como se fosse um ano mais ou menos. vou estar com pessoas que eu amo muito, com pessoas que eu sinto saudade durante o ano todo, com pessoas que conhecem passo a passo de tudo que tem aqui dentro. As minhas certezas e as minhas confusões já não contam mais. Elas vão permanecer aqui, senão todas, a maior parte delas pretendo deixar me esperando pra só tomarem conta de mim na volta. Eu vou pro inesperado, pra esse lugar que não tem nome e nem endereço fixo que é pra onde eu mais gosto de me deslocar. Não é fuga, caso isso tenha acometido o pensamento de alguém. São só férias. Beijosnãomeliguem, óbvio!
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ai, eu juro que não me aguento quando a pré-adolescente que um dia existiu em mim resolve vir a tona. nem por algumas horas. eu devia mesmo ser muito, muito chata. mais do que sou hoje, com certeza (pros que devem estar se perguntando). mas determinadas situações me fazem ficar sem saber como agir, levantando 2.695 possibilidades sobre o foi feito ou deixou de ser e por aí vai. aí começa o baile. primeiro a insegurança que parece ser a maior do universo, depois conversa com todos os amigos pra saber se o que eu penso está certo e se tem alguma idéia boa pra acrescentar, depois tudo fica tranquilo naturalmente sem nenhum esforço. e eu no fim só estressei todo mundo. todos os dias eu me prometo que vou ser mais introspectiva (com os conhecidos mesmo. os desconhecidos nem me enxergam mais), que vou guardar pra mim mesma certas dúvidas e certos momentos. ‘não preciso contar tudo’ me repito. mas eles aparecem de algum jeito (contando na agenda do meu telefone) e eu não resisto. conto tudo! eles são meu diário. mesmo quando não querem. mas seguram direitinho e quase nunca fazem cara de tédio que é como devem ficar por dentro quando me ouvem enlouquecida.
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“Somos crianças que choram escondidas no banheiro, que tomam atitudes insensatas, que dizem o que não deveriam ter dito e que, nos momentos de desespero, gostariam de chamar um “adulto” para resolver a encrenca em nosso lugar” Martha Medeiros
Sabe? Chega uma hora que a gente cansa de se queixar das mesmas coisas. Começa a ter vergonha de nunca mudar nada. Das pessoas te perguntarem e a resposta sempre ser a mesma. Comecei a mentir. Agora digo que tá tudo ótimo (mesmo que não seja esse o caso), me seguro até não poder mais pra não explodir e sair correndo pra pedir o colo de alguém. Choro sozinha, me curo sozinha. Não sei se dá resultado a longo prazo, mas a curto prazo tem me resolvido. Me acalmo, faço outro coisa, deixo de pensar. Mas a verdade é que minha dor sem remédio continua intacta, continua estourando as feridas dentro de mim todos os dias sem dó e muito menos piedade. Eu diria até que por (mal) gosto. Gosto esse que não enxergo a nascente. Me parece um tornado, um furacão, um tsunami ou qualquer outro fenômeno natural que devasta cidades. Sinto o mesmo efeito na alma. Os pilares foram derrubados, só sobrou tristeza e (ainda bem) esperança de reconstruir tudo que ruiu. Isso que ainda me faz seguir. A tão falada luz no final do túnel é o meu apego final.
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Descobri a minha vontade. Sabem aquela ansiedade que dá de fazer alguma coisa que a gente não sabe o que é? Pois é. Acabei de descobrir a minha. Queria hibernar. Sair de circulação durante um tempo, mas que as coisas ficassem nos seus devidos lugares (congelassem) de alguma forma que eu não perdesse nenhuma pontinha de vida aqui fora, mas desse a minha alma o descanso que ela tem implorado já durante algum tempo e que meu subconsciente responde negativamente sem nem ao menos me consultar. Dessa vez passei a perna na consciência. Fui mais rápida. A minha solidão precisou impor sua vontade de existir. E agora eu me pergunto? Que diferença isso fez se ninguém vai parar junto comigo? Se essa máquina que chamamos de mundo tem pessoas demais pra que uma idéia seja aceita com unanimidade? Pois bem, nunca é demais pensar sobre si, buscar nos conhecermos melhor e ficarmos a par do que nosso corpo pede. A partir de então podemos seguir algum caminho, acrescentar algo novo que dê ãnimo. Podemos buscar soluções para amenizar aquilo que não está muito bom. Sempre lembrando que tristeza e outros sentimentos-não-tão-bons são totalmente equivalentes com a alegria, por exemplo (e aquela porção de outras sensaçãoes que nos enchem o coração). Qualquer sentimento, seja ele qual for, tem sua razão de existir e se fazer pulsar. Talvez tenha parecido um pouco auto-ajuda. E de fato foi. Mas não que sirva pra alguém além de mim. Se servir, estou no lucro!
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Há sempre um infinito de possilbilidades, caminhos diversos para escolher e seguir. O que sobra de tudo isso ou o resultado dessas decisões é a vida que levamos. O gosto de cada conquista. E como é bom ganhar. E quando eu falo em ganhar é qualquer coisa. Um sorriso, um abraço, uma boa notícia, uma promoção, uma medalha, um aprendizado com aquela decisão que não saiu exatamente conforme esperávamos. Não dá pra saber se daria certo se agíssemos de outra forma. Talvez não fosse mesmo pra acontecer de qualquer jeito e isso já é dar certo visto de certo ângulo. Sabe-se lá as consequências que viriam mais tarde. Acredito sim que a vida de alguma maneira que eu não posso comprovar nos protege muitas vezes de tombos maiores, mesmo não aparentes e que a princípio nos fazem querer morrer de decepção e pensar durante dias outras possibilidades para transformar aquilo que já passou em algo diferente. Na realidade, ultimamente tenho me perdido entre certo e errado, bom e ruim, alegria e tristeza. Sempre penso que o um pode ser o outro e o outro pode ser o um. Faz parte da minha confusão, da minha clareza, da minha contradição.
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“Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra. As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha. Solidão é uma ilha com saudade de barco. Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco. Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes. Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Renúncia é um não que não queria ser ele. Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe. Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Orgulho é uma guarita entre você e o da frente. Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja. Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro. Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho. Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia. Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa. Desatino é um desataque de prudência. Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Emoção é um tango que ainda não foi feito. Ainda é quando a vontade está no meio do caminho. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Desejo é uma boca com sede. Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero… Também não. É um desadoro… Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.”
Livro que faz parte da literatura infantil. Muito interessante pra trabalhar com crianças – e adultos – das mais variadas idades. Consiste em um ótimo meio para explorar os significados que trazemos dentro de nós. Vale muito a pena conferir! Me apaixonei!
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me sinto meio egoísta e não é efeito de droga alguma. é egoísmo puro, curto, grosso e sem desculpas -anteriores ou posteriores- para me redimir. Contudo, não é maldade (mesmo que eu me sinta uma pessoa ruim por diversas vezes), não é grave e aposto que ninguém nota. ou se nota não diz. tem coisas que realmente são só minhas. sem discussão. não há argumentos que me convençam a compartilhá-las. são momentos, pessoas, objetos, gostos e sentimentos. As minhas particularidades são o meu tesouro. Tanto o materializado quanto o abstrato são guardados a sete chaves num lugar que nem eu mesma sei, mas tenho acesso no segundo em que desejo.
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Mergulhada naquilo que se chama vida. O pólo positivo e o pólo negativo se entrelaçam de uma forma confusa. As cargas se cruzam e formam um tornado de sentimentos. O choro e o riso se acompanham sem que eu assuma o controle, sem que algum prevaleça. O peso das minhas felicidades e das minhas tristezas por vezes parece ser maior do que realmente posso suportar. Ocorre uma tentaiva de expansão, como se o meu ser não pudesse suportar tanta intensidade. É muito amor, é muita dor. O equilíbrio tende a ser o objetivo, mas o meu inconsciente busca emoção, busca um pouco de tensão. Serve pro corpo funcionar, pros sentimentos se reavivarem e demonstrarem pra alma que ainda existe muito pela frente. O desânimo virá, mas a vontade de ir adiante sempre será maior. Um infinito de possibilidades me espera.
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